O peso de começar o ano “perfeita”

Janeiro chega carregado de promessas. Um calendário em branco, um novo planner, listas recém-escritas, metas ambiciosas e uma sensação quase coletiva de que agora vai. É como se o ano só tivesse valor se começássemos nele impecáveis: organizadas, produtivas, felizes, com o corpo certo, a mente alinhada e a vida sob controle.

Porém… a que custo?

A ilusão do recomeço perfeito

Existe uma narrativa silenciosa e muito poderosa de que o início do ano exige uma versão “melhorada” de nós mesmos. Melhor rotina, melhor aparência, melhores resultados. Como se houvesse um botão de reset emocional e qualquer coisa que não seja evolução imediata significasse fracasso.

Essa ideia vende bem. Está nos planners, nos desafios de 21 dias, nas promessas de “novo eu”. Só que, na prática, ela ignora algo essencial: ninguém começa do zero, é impossível resetar tudo e começar do zero.

Entramos no novo ano carregando o antigo, cansaços antigos, lutos não resolvidos, inseguranças, dívidas emocionais e físicas. Fingir que tudo isso desaparece no dia 1º é pedir demais do corpo e da mente, e pode se tornar problemático se olharmos pela órbita alheia.

E quando o “perfeito” vira peso?

A busca pela perfeição no começo do ano não motiva, ela pressiona. Transforma expectativas em cobranças, metas em comparação e o perfeito vira dor não uma salvação ou respiro para o novo.

Você percebe isso quando:

❤︎ Sente culpa por descansar.

❤︎ Sente culpa por ter aproveitado o fim do ano, ir para festas, come mais do que o comum, gastou além do normal dos outros meses.

❤︎ Se frustra por não cumprir todas as metas que impôs para janeiro.

❤︎ Compara seu ritmo com o de outras pessoas, olhando a régua alheia por uma tela.

❤︎ Acredita que já está “atrasada” no ano logo nas primeiras semanas.

O problema não é querer mudar, longe disso. O problema é achar que mudança precisa ser imediata, estética e constante. Quando na verdade esse modelo vendido o tempo todo, é completamente falho, longe do perfeito que é entregue e dito.

Produtividade não é sinônimo de valor

Existe uma confusão perigosa entre estar fazendo e estar valendo. Como se só
merecêssemos orgulho quando estamos produzindo, evoluindo ou performando bem.
Mas o começo do ano também pode ser lento, confuso e silencioso.
Principalmente porque ao longo das últimas semanas de dezembro, é comum que diminuímos toda nossa proatividade e focamos em descansar, devido a recesso, férias e afins.

Por isso, é importante pontuar que nem todo janeiro precisa ser extraordinário. Alguns só precisam ser honestos.

E se o começo fosse mais humano?

Talvez começar o ano não precise ser sobre se tornar uma nova pessoa, mas sobre se escutar com mais atenção.

Talvez o verdadeiro recomeço seja:

❤︎ Aprender a respeitar limites e vontades

❤︎ Ajustar expectativas e usá-las em prol de um bom impulsionamento e não para se frustrar.

❤︎ Entender que constância nasce do cuidado e não dá pressão, e que demanda tempo e paciência para conseguir tornar comum isso.

❤︎ Aceitar que alguns processos não cabem em metas anuais, mas organizá-los para fazer um pouco a cada ano.

Crescer não é uma linha reta. E a vida real raramente acompanha o ritmo dos discursos motivacionais, ou nossas metas em planners bonitos, muitas coisas fogem da rota, e o importante é se dar o mérito por mesmo assim, conseguir sustentar um dia após o outro em busca de suas conquistas e sonhos.

Temos um convite para seu lado mais perfeito, a sua imperfeição


Exista de forma verdadeira, fora do que é imputado em redes sociais, antes de determinar seus valores, desligue as telas.
Você não precisa estar pronta. Precisa estar presente, precisa somente entender que tentar é uma ação também.
Se houver dias de avanço, ótimo. Se houver dias de pausa, tudo bem. O ano não se perde porque você não foi perfeita em janeiro, ou em outro mês.
Siga no presente, um dia de cada vez, tenha metas diárias, metas semanais, metas mensais e anuais. Mas não ache que não preencher um risco em todas, significa fracasso, não significa, seu processo é lindo, acolha isso e se sabote menos.
Talvez o maior gesto de maturidade seja justamente esse: soltar a ideia de perfeição e escolher um caminho possível.
Porque o peso de começar perfeita é grande demais para carregar sozinha.
E viver não deveria ser tão pesado.


Dica da Nat =)

Determine metas mensais, com os pés no chão, exemplo, se sua meta é comprar um carro, invés de adicionar isso a uma meta anual, adicione a sua meta mensal guardar todo mês um determinado valor. Estipule dentro de uma meta que caiba no seu orçamento e que seja possível.
Outro exemplo, se sua meta é emagrecer 15kg no ano, adicione isso a sua meta mensal, emagrecer de 1 a 2kg a cada mês.
Dentro disso, você pegará dentro da sua rotina coisas que poderá fazer para assim alcançar seu objetivo de você menos pressionada e dura consigo mesma.
O processo também precisa ser valorizado e cuidado, por isso não tenha medo de ir aos poucos, aprendendo a ter foco aos poucos, a chance de ter um efeito rebote quando você se pune menos, é muito menor.